𝐁𝐨𝐚𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚: 𝐔𝐦 𝐀𝐩𝐞𝐥𝐨 à 𝐃𝐞𝐦𝐢𝐬𝐬ã𝐨

Ao longo da minha vida, como tantos outros boavisteiros, aprendi a amar o nosso clube não apenas pelas vitórias em campo, mas pelos valores de seriedade, trabalho e irreverência inteligente que sempre o caracterizaram. Valores esses que, infelizmente, hoje parecem ausentes. Este texto é, por isso, um apelo sentido — e firme — à verdade, à responsabilidade e à ação.

𝐀 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐥𝐢𝐠𝐚çã𝐨

Durante mais de dois anos, tive a honra de representar o Boavista no painel do programa 𝐐𝐮𝐚𝐫𝐭𝐚 à 𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞, do ZeroZero, debatendo semanalmente a atualidade com representantes do SC Braga e do Vitória SC. Fi-lo com paixão, mas também com a consciência de que, em certo momento, era necessário abrir espaço a novas vozes. Assim, saí voluntariamente — e fui substituído pelo Garrido Pereira, hoje Presidente do Boavista Futebol Clube. É neste contexto simbólico, e por respeito à história e aos boavisteiros, que entendo escrever estas palavras.

𝐎 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐨 𝐁𝐨𝐚𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚

Vivemos hoje um dos momentos mais críticos da história do Boavista. O clube e a SAD encontram-se profundamente fragilizados — desportiva, financeira e institucionalmente. A atual direção do clube, recentemente empossada, não é responsável pela herança que recebeu, mas assumiu funções sabendo exatamente o contexto que a esperava. E, perante isso, prometeu soluções. Até hoje, não vimos nenhuma.
A SAD vive uma situação desesperante: um passivo sufocante, um investidor ausente e desinteressado, e com uma estrutura profundamente desorganizada e incapaz. A insolvência, se nada for feito com urgência, será uma inevitabilidade.
O Clube, por sua vez, carrega uma dívida pesada, viu um PER reprovado e está profundamente vulnerável perante os credores. A necessidade de soluções definitivas é inadiável. E é precisamente essa urgência que deveria ter dominado a campanha eleitoral — mas que infelizmente foi substituída por discursos vagos e promessas por provar.

𝐀𝐬 𝐞𝐥𝐞𝐢çõ𝐞𝐬: 𝐮𝐦𝐚 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐝𝐢ç𝐚𝐝𝐚

As eleições de 18 de janeiro mobilizaram 1401 sócios — um número expressivo, num momento de desânimo. Foram mal organizadas, é certo, mas representaram um passo em frente no processo democrático do clube. Um avanço que devemos preservar.
A vitória de Garrido Pereira (com cerca de 80% dos votos) assentou, na minha leitura, em três fatores principais:
1. 𝐀 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐬𝐨𝐥𝐮çõ𝐞𝐬 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐧𝐜𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 — reiteradamúltiplas vezes (em entrevistas e conversas privadas), mas nunca demonstrada, escudada por um suposto acordo de confidencialidade. Hoje, é evidente que não havia qualquer sustentação.
2. 𝐎 𝐚𝐟𝐚𝐬𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐜𝐥𝐚𝐪𝐮𝐞 — que tem um efeito de binómio, mas que beneficiou amplamente a sua candidatura.
3. 𝐎 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐟𝐢𝐠𝐮𝐫𝐚 𝐞 𝐞𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚 — que lhes valeu o benefício da dúvida. Uma esperança no “pior do que está, não fica”. Mas infelizmente, ficou.

Assumo com frontalidade: integrei a lista liderada por Fary Faye que acabou por não avançar, convencida por conselheiros veteranos de que a lista de Garrido teria soluções reais. Expressámos na altura, de forma pública, as nossas dúvidas quanto a essa narrativa. Infelizmente, os factos deram-nos razão.

𝐀 𝐝𝐮𝐫𝐚 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓

Passados quase quatro meses, a realidade é incontornável:
𝐀𝐬 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐞𝐬𝐬𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐬𝐭𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐯𝐚𝐧𝐞𝐜𝐞𝐫𝐚𝐦-𝐬𝐞. Aquilo que sustentou a vitória eleitoral já não existe. Não existem soluções nem de longo, nem de médio, nem de curto prazo.
𝐍ã𝐨 𝐡á 𝐩𝐫𝐨𝐣𝐞𝐭𝐨, 𝐧𝐞𝐦 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐜𝐡𝐚𝐯𝐞 a liderar áreas críticas do clube: financeira, formação, futebol feminino e modalidades. Reina o improviso.
𝐇á 𝐮𝐦 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐠𝐫𝐚𝐯𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐫𝐨𝐜𝐞𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨: dívidas, insolvências, credores — a direção parece completamente alheada dos dossiers mais urgentes, assim como das soluções.
𝐏𝐞𝐫𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐨 𝐚𝐜𝐞𝐬𝐬ó𝐫𝐢𝐨. Parcerias de blockchain, regulamentos controversos de assembleias gerais, enquanto os alicerces do clube continuam a ruir a cada dia.

𝐔𝐦 𝐚𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐬𝐞𝐫𝐞𝐧𝐨, 𝐦𝐚𝐬 𝐮𝐫𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞

O Boavista está em risco. E embora os atuais dirigentes não sejam responsáveis por nos terem trazido até aqui, poderão sê-lo por não conseguirem travar a queda.
Por isso, com total sentido de responsabilidade e com o único objetivo de salvar o Boavista, deixo um apelo ao Presidente Garrido Pereira e à sua direção: 𝐮𝐬𝐞𝐦 𝐚 𝐀𝐬𝐬𝐞𝐦𝐛𝐥𝐞𝐢𝐚 𝐆𝐞𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐚𝐦𝐚𝐧𝐡ã 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐞 𝐚𝐬𝐬𝐮𝐦𝐚𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐧ã𝐨 𝐭ê𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐝𝐢çõ𝐞𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐥𝐢𝐝𝐞𝐫𝐚𝐫 𝐨 𝐜𝐥𝐮𝐛𝐞 𝐧𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞𝐜𝐢𝐬𝐢𝐯𝐨.
A vossa saída, em nome da dignidade e da lucidez, permitirá abrir caminho a uma solução de resgate real, liderada por quem tenha projeto, equipa e conhecimento para salvar o Boavista.

𝐍ã𝐨 𝐡á 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐚 𝐩𝐞𝐫𝐝𝐞𝐫. 𝐎 𝐁𝐨𝐚𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 — 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐁𝐨𝐚𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 — 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐧ó𝐬.

by That-Weakness-4486

Share.

6 Comments

  1. Foi uma pena a lista do fary nao ter avançado, era pessoas como JPP k era necessário no nosso clube. A lista do fary era a melhor sem duvida,com pessoal qualificado em todas as areas. O garrido foi um barrete. Ainda estamos todos a espera da FS Finance o tal investimento.  Rua com o garrido, devia se demitir e abrir novas eleições.  Garrido ja mostrou nao ter soluções para nada…. podia aproveitar AG e pedir a demissão como diz JPP. 

  2. Não concordo em nada a propagação desta mensagem do JPP em vésperas de algo tão importante.

    Amanhã sim, é dia de perguntar tudo o que há a perguntar!

  3. Estou totalmente de acordo com quase todo o texto.
    Realmente o Garrido foi um barrete, que ganha porque os sócios não quiseram entregar isto á claque e aos vizinhos do lado.
    Se não tem as soluções só tem é que sair.
    Contudo algumas coisas fazem-me alguma comichão.

    O Fary foi vice do Murta, e foi escolhido pelo investidor para ser o líder da SAD, até elogiou o investidor em comunicado e quase passeou com ele de mãos dadas na volta olímpica
    JPP critica com toda a razão a SAD e o investidor…mas entra na lista liderada pelo Fary…

    Porque raio se continua a confiar em “conselheiros veteranos”?
    Por causa dos conselheiros veteranos e da La Famiglia do Bessa (e que também estava presente na dita lista) é que estamos como estamos (mas eles estão todos bem), continuar a confiar nessa gente é ingenuidade.

    Porque raio a lista não avançou sem o Fary, quando não havia duvidas que essa lista seria vencedora?
    “As pressões de diversa índole” ficaram esquecidas?

    Temos uma espécie de guerra dos tronos, e o final vai ser o mesmo tudo queimado…

  4. CrazyMollyWally on

    Eu gostaria que o senhor José Pedro Pais fosse para o real crl. Um tachista que será sempre um tachista e nas últimas eleições deixou claro. Tanta conversa tanta conversa mas quando foi preciso foi atrás do Fary e sem coragem de assumir uma lista com credibilidade para não ceder a qualquer pressão. Passado uns dias estava com o Chefe da Claque, podre de bêbado, a ser espectador de primeira linha num dos espetáculos mais deprimentes que se viu nos últimos anos.
    Tinha algum respeito por esse senhor, apesar de saber que foi sempre um indivíduo ao cheiro do tacho. Achei que finalmente ia fazer acontecer e mostrar que conseguia inverter tudo o que ia constantemente e publicamente criticando. Afinal não. Mostrou ao que anda. Agora é só mais um a ladrar. Adiante.

  5. Important_Hat_196 on

    Quando há um tempo o JPP escreveu mais ou menos o mesmo, em relação ao Murta, eu apoiei e cheguei a comentar aqui que gostava que o JPP fosse candidato. O Murta foi embora, o JPP teve oportunidade de ser solução e… nada. Estava incluido numa candidatura que desistiu e passado uns dias apareceu de “braço dado” com o chefe da claque. Neste momento, é com muita pena que digo que o JPP é mais ruido do que solução.

    Se teve oportunidade para ser solução e não quis (!!!), agora que se cale e deixe os outros trabalharem. Até aceito este tipo de discurso por parte de apoiantes da candidatura que perdeu as eleições, porque tentaram ser solução e os socios não quiseram. Não consigo aceitar criticas de alguém que preferiu não fazer parte da solução (lamentavelmente).

  6. Imaginary-Joke5859 on

    Estão os ingredientes reunidos para amanhã haver selvajaria. O JPP sabe exatamente o peso destas palavras e o que provocam e mesmo assim preferiu fazer isto desta forma, em vez de o fazer amanhã em AG. Claramente existem movimentos de bastidores e soluções a serem preparadas para tirar o Garrido do cargo, esta foi a primeira pedrada. Tenho muito medo que aquela aparição do JPP com o Sousa no Podcast seja mais do que um café.

Leave A Reply