# «Para Fernando Gomes, era Mateus Mide e mais dez»
Nuno Pimentel treinou Mateus Mide nas camadas jovens do FC Porto e recorda para A BOLA os primeiros passos do melhor do Mundo no Qatar: «Velocidade de execução acima da média e muito golo»
Nuno Pimentel, 45 anos, treinou Mateus Mide nas camadas jovens do [FC Porto](https://www.abola.pt/futebol/fc-porto-451). Está a trabalhar agora nos sub-23 dos sauditas do Al Fayha. Em conversa com A BOLA, salienta o que lhe saltou à vista no agora campeão do Mundo de sub17, quando ainda numa idade tão jovem: «Quando fui treinador dos sub-15 do [FC Porto](https://www.abola.pt/futebol/fc-porto-451), o Mateus estava nos sub-14, mas fui sempre acompanhando os treinos e os jogos do escalão dele. Um dia, juntamente com a estrutura do clube, decidimos que ele teria de queimar etapas do seu desenvolvimento e passar a estar permanentemente nos sub-15. O diretor técnico era o senhor Fernando Gomes, o ‘Bibota de Ouro’, um apaixonado pelo Mide. Dizia que via nele muitas características e qualidades de quando ele, Fernando Gomes, era miúdo. Por vezes, até me pressionava porque queria que o Mateus jogasse sempre, e eu lá tinha que explicar que tinha que ser paulatinamente, pois ainda precisava evoluir em muitos aspetos. Porém, para o senhor Fernando Gomes, era o Mide e mais dez. O Mateus já evidenciava, na transição dos sub-14 para os sub-15, perspicácia no entendimento do jogo e capacidade para pensar rápido e antecipar o contexto do jogo. E tinha já uma velocidade de execução acima da média. O mais difícil no futebol, como dizia Cruijff, é fazer as coisas simples, e o Mateus, muitas vezes, pelo seu repertório técnico, simplificava aquilo que parecia difícil. O golo na final do Mundial representa muito daquilo que é o Mateus: receção orientada e visão de jogo. Mesmo sem olhar, ele estava a perceber a desmarcação do colega e os espaços. Além disso, tem capacidade de finalização e golo.»
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Houve um episódio marcante que Nuno Pimentel relata a A BOLA: «Ele teve uma lesão muscular num jogo e, quando nos reunimos com o médico, este disse-nos que talvez o Mateus ficasse impedido de jogar até final do ano. E ele, menino de 14 anos, apertou-me a mão e disse: ‘Ainda vou jogar este ano e vamos ser campeões, e comigo em campo.’ Já mostrava superação à dor, paixão pelo clube e vontade de jogar.»
Sobre o desempenho do atacante no Mundial sub-17 e a distinção de melhor jogador do torneio, Nuno Pimentel declarou: «O sucesso da Seleção Nacional foi, sobretudo, a organização, mas não me surpreende que ele tenha sido nomeado como melhor jogador do Mundial. Trouxe perfume, carisma e qualidade ao jogo de Portugal. Num Mundial de sub-17, recheado de jogadores de excelência, esse título foi merecido. O Mateus foi o campeão do campeonato. É justo.»
Por fim, sobre a possibilidade de chegar à equipa principal do [FC Porto](https://www.abola.pt/futebol/fc-porto-451), Nuno Pimental avançou: «Tem de continuar a fazer o seu percurso, jogando e competindo. Está numa estrutura competente e dará os passos necessários para, a curto/médio prazo, chegar à equipa principal. Vejo-o a ser mais um produto que o nosso futebol potencia para a nata do futebol internacional, mas tem 17 anos e ainda muita estrada para percorrer. Sem lesões, não tenho grandes dúvidas de que, em breve, será mais um jogador português que estará na ribalta do futebol mundial.»
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# «Para Fernando Gomes, era Mateus Mide e mais dez»
Nuno Pimentel treinou Mateus Mide nas camadas jovens do FC Porto e recorda para A BOLA os primeiros passos do melhor do Mundo no Qatar: «Velocidade de execução acima da média e muito golo»
Nuno Pimentel, 45 anos, treinou Mateus Mide nas camadas jovens do [FC Porto](https://www.abola.pt/futebol/fc-porto-451). Está a trabalhar agora nos sub-23 dos sauditas do Al Fayha. Em conversa com A BOLA, salienta o que lhe saltou à vista no agora campeão do Mundo de sub17, quando ainda numa idade tão jovem: «Quando fui treinador dos sub-15 do [FC Porto](https://www.abola.pt/futebol/fc-porto-451), o Mateus estava nos sub-14, mas fui sempre acompanhando os treinos e os jogos do escalão dele. Um dia, juntamente com a estrutura do clube, decidimos que ele teria de queimar etapas do seu desenvolvimento e passar a estar permanentemente nos sub-15. O diretor técnico era o senhor Fernando Gomes, o ‘Bibota de Ouro’, um apaixonado pelo Mide. Dizia que via nele muitas características e qualidades de quando ele, Fernando Gomes, era miúdo. Por vezes, até me pressionava porque queria que o Mateus jogasse sempre, e eu lá tinha que explicar que tinha que ser paulatinamente, pois ainda precisava evoluir em muitos aspetos. Porém, para o senhor Fernando Gomes, era o Mide e mais dez. O Mateus já evidenciava, na transição dos sub-14 para os sub-15, perspicácia no entendimento do jogo e capacidade para pensar rápido e antecipar o contexto do jogo. E tinha já uma velocidade de execução acima da média. O mais difícil no futebol, como dizia Cruijff, é fazer as coisas simples, e o Mateus, muitas vezes, pelo seu repertório técnico, simplificava aquilo que parecia difícil. O golo na final do Mundial representa muito daquilo que é o Mateus: receção orientada e visão de jogo. Mesmo sem olhar, ele estava a perceber a desmarcação do colega e os espaços. Além disso, tem capacidade de finalização e golo.»
Houve um episódio marcante que Nuno Pimentel relata a A BOLA: «Ele teve uma lesão muscular num jogo e, quando nos reunimos com o médico, este disse-nos que talvez o Mateus ficasse impedido de jogar até final do ano. E ele, menino de 14 anos, apertou-me a mão e disse: ‘Ainda vou jogar este ano e vamos ser campeões, e comigo em campo.’ Já mostrava superação à dor, paixão pelo clube e vontade de jogar.»
Sobre o desempenho do atacante no Mundial sub-17 e a distinção de melhor jogador do torneio, Nuno Pimentel declarou: «O sucesso da Seleção Nacional foi, sobretudo, a organização, mas não me surpreende que ele tenha sido nomeado como melhor jogador do Mundial. Trouxe perfume, carisma e qualidade ao jogo de Portugal. Num Mundial de sub-17, recheado de jogadores de excelência, esse título foi merecido. O Mateus foi o campeão do campeonato. É justo.»
Por fim, sobre a possibilidade de chegar à equipa principal do [FC Porto](https://www.abola.pt/futebol/fc-porto-451), Nuno Pimental avançou: «Tem de continuar a fazer o seu percurso, jogando e competindo. Está numa estrutura competente e dará os passos necessários para, a curto/médio prazo, chegar à equipa principal. Vejo-o a ser mais um produto que o nosso futebol potencia para a nata do futebol internacional, mas tem 17 anos e ainda muita estrada para percorrer. Sem lesões, não tenho grandes dúvidas de que, em breve, será mais um jogador português que estará na ribalta do futebol mundial.»