Esse jogo tem a marca de um Maestro, não mais de Capacete mas de cabelos grisalhos, um Vovô-Garoto, Júnior. Ao pedido do filho, voltou a vestir o Manto Sagrado em 1989, conquistou a Copa do Brasil em 1990, conquistou o campeonato carioca em 1991. Faltava conquistar o Brasileirão, que nesta altura, parecia mais um sonho impossível que uma possibilidade real. Mas era Júnior, craque de sempre e para sempre. Uma prova, aos 38 anos, voltou a ser convocado na Seleção brasileira para um amistoso contra a Finlândia, marcado três dias depois do jogo contra o Corinthians.

E no Pacaembu, Júnior mostrou que ainda tinha futebol nas pernas, com bola rolando ou na bola parada. Aos 23 minutos de jogo, uma falta a 30 metros de distância, bem no centro. O ambidestro Júnior usou a perna direita, a bola descolou, a curva foi perfeita, a bola pousou na parte interna da trave, morreu no gol. “A gente sabe da trajetória da bola, a gente sabe muitas vezes o que vai acontecer” falou simplesmente depois do jogo o veterano que sabia tudo da bola. Júnior fazia assim seu terceiro gol no campeonato, já um bom número para adicionar com as 5 assistências até então, mas a partir desse momento passou a ser ainda mais decisivo para chegar a um nível excepcional na reta final do campeonato.

Dois minutos depois, Fabinho e Zinho tabelaram na esquerda, bola caiu nos pés de Marquinhos, bola saiu forte em direção do gol. Ronaldo tocou, sem impedir o gol. Ainda no primeiro tempo, de novo uma bola parada para o Maestro Júnior. Essa vez, tocou rápido para Zinho, de pivô para Fabinho, que colocou a bola diretamente na gaveta de Ronaldo. A torcida rubro-negra, que compareceu em bom número no Pacaembu, podia comemorar e relaxar, a alegria e a tranquilidade da torcida se misturavam com as do Violino Carlinhos, Flamengo tinha 3 gols de vantagem.

No final do jogo, o Corinthians fez um gol, sem ameaçar Flamengo de perder os 2 pontos da vitória. O homem do jogo, claro, foi Júnior, que também foi o homem do campeonato. Foi tudo no Brasileirão de 1992, artilheiro e garçom, líder e capitão, Maestro e Vovô-Garoto, professor e exemplo. Liderou o time e a garotada ao penta, depois de dois jogos na final contra Botafogo, 3×0 na ida, 2×2 na volta. Das bolas de ouro do Brasileirão desde 1971, Júnior fez em 1992 uma das campanhas mais marcantes.

Créditos pelo texto:

Jogos eternos #190: Corinthians 1×3 Flamengo 1992

Créditos pelo vídeo:

Fabinho Coelho

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