Hildeberto Pereira, luso-cabo-verdiano que alinha no Operário Ferroviário, da segunda divisão do Brasil, denunciou ter sido vítima de racismo por parte de um adepto do Vila Nova, na última noite.

O jogo da quinta jornada da Série B, que terminou com vitória caseira do Vila Nova por 2-1, ficou marcado por uma grande confusão entre jogadores e staff do Operário com os adeptos que se encontravam atrás do banco de suplentes. Durante a confusão, em que alguns objetos chegaram a ser arremessados, o avançado acusou um adepto da equipa da casa de racismo.

«Ele chamou-me de macaco, ele chamou-me de macaco e fez o gesto», disse Hildeberto a um membro do staff do Vila Nova, ainda no relvado.

Já depois, disso, o luso-cabo-verdiano fez um longo desabafo, em lágrimas.

«As imagens são claras. Dois adeptos do Vila Nova fizeram um ato de racismo e acho que depois disso o jogo acabou, manchou o espetáculo, um Vila Nova e um Operário que estavam a lutar pela liderança da Série B. Não dá para falar de futebol neste momento. Acho que a justiça vai ser feita. É triste, porque a minha esposa estava em casa com as minhas filhas e ouviu o "macaco". Vamos viver isto todos os dias, seja um jogador ou um trabalhador. Tenho orgulho de onde eu vim, tenho muito orgulho de ser preto. É isso, vamos lutar todos os dias. Não dá para falar de futebol», disse Hildeberto, à ESPN.

«Estou triste, magoado, chateado, mas estou muito feliz em Ponta Grossa. Os adeptos do Operário, a direção e os jogadores foram uma família para mim. Eu vim para o Brasil sozinho e o Operário sempre me deu apoio. Não posso generalizar, porque as outras pessoas não têm culpa. É triste, doeu, mas eu levo do Brasil até agora boas recordações. É seguir em frente agora. Passamos isto todos os dias, não só jogadores, como trabalhadores. É só mais um dia», lamentou.

Hildeberto Pereira apresentou queixa e o adepto do Vila Nova foi identificado, segundo a imprensa brasileira

by Evangelista_503

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