
Queria ser jogador de futebol e chegou a receber um convite de Aurélio Pereira para integrar a formação do Sporting. No entanto, o hóquei em patins, que começou por acaso, foi ganhando espaço na sua vida. Ouça a entrevista a Filipe Gaidão no podcast ‘Ontem Já Era Tarde’, com Luís Aguilar
Queria ser jogador de futebol e chegou a receber um convite de Aurélio Pereira para integrar a formação do Sporting. No entanto, o hóquei em patins, que começou por acaso, foi ganhando espaço na sua vida.
“Era apenas uma brincadeira e uma forma de estar com os amigos”, recorda. “Até à minha ida para o Paço de Arcos, quando tinha cerca de 16 anos, nunca pensei em ser desportista profissional.”
Foi precisamente nesse clube que conquistou a Taça CERS, equivalente à Liga Europa no futebol, afirmando-se a partir daí como uma figura incontornável do hóquei português. Ao longo da carreira, representou o Benfica durante várias épocas e passou também pelo FC Porto. Pela seleção nacional, sagrou-se campeão europeu em 1998 e foi considerado o melhor jogador do Mundial de 2001.
Filipe Gaidão nunca escondeu o seu benfiquismo. Quando recebeu o convite do clube do coração, não hesitou.
“Na altura ainda apanhei Vale e Azevedo como presidente. Saiu ao fim de três meses. O Benfica vivia uma fase complicada, mas era o meu clube e uma outra dimensão. Quando apareceu o interesse do Benfica, tudo mudou. Foi sempre o que eu quis.”
Pouco depois da sua chegada, Manuel Vilarinho venceu as eleições e assumiu a presidência. “Apanhei o clube numa fase muito conturbada, com dificuldades financeiras, mas estava no Benfica e isso era o mais importante. Mesmo com esses problemas, sentia-se a grandeza do clube todos os dias.”
Os problemas económicos levaram a direção a ponderar uma medida radical. “Foi ter com a equipa e disse aos jogadores que estavam autorizados a procurar clube porque o hóquei em patins ia acabar.”
A decisão acabou por não avançar. “Numa assembleia geral polémica, os sócios não deixaram. Ele até precisou de sair escoltado. Mas nessa altura a época já tinha terminado e eu e muitos colegas já estávamos comprometidos com outros clubes. Por minha vontade, nunca teria saído do Benfica.”
Filipe Gaidão encontrava-se de férias, já depois de ter assinado pelo FC Porto e antes de rumar ao Mundial com a seleção, quando sofreu um grave acidente.
“Estava a nadar na piscina do meu sogro, bati com a cabeça num dos lados e apaguei por completo. Foi o meu sogro que me tirou da água e me salvou a vida.”
Na sequência do acidente, chegou a ficar tetraplégico. “Os médicos disseram-me que não voltaria a andar. Mesmo assim, o Porto não deixou cair o contrato. Pinto da Costa garantiu que colocaria todos os meios à disposição para a minha recuperação.”
A recuperação acabou por acontecer. “Felizmente, com o tempo, consegui recuperar e ainda joguei pelo Porto. Sou benfiquista, as pessoas no Porto sabiam disso, mas estarei sempre grato ao clube por tudo o que fizeram por mim naquela fase.”
by superdouradas
