Não é fácil escrever estas palavras. Falo com o coração na mão, com a alma ferida, e com a memória de quem suou, lutou e honrou aquela camisola axadrezada que sempre foi mais que um símbolo — foi parte de mim. Joguei anos pelo Boavista. Vivi aquele clube por dentro. Conheci o velho Bessa, o novo Bessa, e sobretudo o Boavista de verdade, aquele que fazia frente aos grandes, com raça, com orgulho, com identidade.

Hoje olho para o que resta e custa-me reconhecer este Clube.

Custa-me ver um Boavista sem rumo, sem estabilidade, a cair aos bocados, Não é apenas um caso jurídico — é um golpe à nossa história. Agora, ver o nome do clube misturado em operações financeiras, branqueamento e ilegalidades. Custa-me ver a falta de respeito por uma instituição centenária que formou homens, não só jogadores, e que deu tantas alegrias a esta cidade. O Boavista é Porto. É suor, é garra, é resistência. E agora vive num silêncio doloroso, esquecido por muitos, abandonado por outros, e usado por quem nunca o sentiu verdadeiramente.

Quem são os culpados?
Os culpados não são os adeptos. Esses continuam lá, fiéis, mesmo sem promessas, sem vitórias, sem conforto.

Os culpados são aqueles que usaram o Boavista como joguete financeiro, que venderam o clube a investidores sem alma, que pensaram que um clube é apenas um ativo, um número numa folha de Excel. Foram os que deixaram apodrecer a estrutura, os que prometeram milhões e trouxeram dívidas. Foram os que deixaram a formação e as modalidades ao abandono , que permitiram salários em atraso, que falharam com os jogadores, os treinadores, os funcionários — todos aqueles que, dia após dia, continuam a dar a vida por um clube que parece esquecido por quem devia protegê-lo.

E também há culpa de quem ficou calado. De quem, podendo intervir, escolheu virar a cara. A omissão também mata clubes.

Mas acima da dor, há amor
O Boavista não é só quem o gere mal. O Boavista somos nós — os que o viveram e os que ainda o sentem. O Boavista não vai morrer enquanto houver um só adepto que se levante e diga: “Isto não pode continuar assim”.

Hoje, falo como ex-jogador, mas mais ainda como homem ferido. Porque não se assiste impunemente à queda de algo que ajudaste a construir, que amaste, que te fez quem és. Dói. Muito. Mas também é essa dor que me diz que o Boavista ainda vive em mim — e em tantos outros.

O Boavista merece mais. O Boavista precisa de nós.

obrigado, Rui Casaca

by the_old_striker

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3 Comments

  1. First_Sprinkles_979 on

    Coloca o dedo na ferida: o pecado foi um deplorável presidente de nome Vítor Murta ter colocado por ganância pessoal e sem olhar aos interesses do Boavista a SAD nas mãos de um pseudo investidor numa operação totalmente obscura e ruinosa, tendo ainda a seguir praticado uma gestão altíssimamente danosa com fortes proveitos pessoais para si e gente próxima. Um asco de gente.

  2. Witty_Bar_3972 on

    Não há clube como o Boavista. Pessoal, vamos ter de o reerguer. Custe o que custar

  3. Este podia voltar um dia  num cargo qualquer, para director geral por exemplo, é dos poucos k sente o clube. É destes k precisamos para voltarmos mais fortes k nunca. Boavista resiste…. ate chorei a ler isto.