
O ZeroZero trouxe à discussão, e finalmente, a questão dos quadros competitivos e da centralização (da gestão) dos direitos audiovisuais nas nossas ligas profissionais.
Mais do que é falado na televisão ou por presidentes de clubes, é preciso perceber como é que funciona, de facto, o negócio do futebol moderno. As ligas profissionais já não vivem de sandes e Sumol. Para haver real qualidade, para mantermos um nível competitivo capaz, é preciso um conjunto de coisas, que o convidado do podcast elenca com muita clareza.
Breve sumário:
- A Liga não está a pensar na qualidade do produto;
- Os orçamentos dos clubes de menor dimensão suportam-se em grande parte nos direitos televisivos de hoje em dia;
- Os orçamentos dos clubes maiores (incluindo Braga e Vitória) contam com um pouco mais de fontes de receita, mas a TV é um pilar essencial;
- O que está em causa nesta centralização não é só "onde é que se vê os jogos". Certos clubes têm patrocínios para media digital, momentos do jogo, pré e pós jogo nos seus canais, etc. Estes momentos podem ou não estar incluidos na negociação;
- A preparação disto está muito, mas muito atrasada, e a culpa é dos clubes;
- A maioria dos clubes só olha para o seu umbigo (leia-se para as suas fontes de rendimento) sem perceber que há um bem maior em caminhar em conjunto, se as coisas forem BEM planeadas;
- O planeamento estratégico existe em muito poucos sítios;
- A preocupação não deve ser só com o preço de hoje, mas com o preço na próxima renovação de contrato, porque aí é que o produto ou está no lixo ou pode ser devidamente valorizado;
- É preciso pensar a longo prazo.
O adepto comum do futebol não quer saber destas coisas. Se mal gere o seu orçamento familiar, mal vai perceber a importância que o trabalho de marketing pode valer na receita do seu clube. São usados exemplos muito interessantes, como as abordagens do FCP na Colômbia aquando do Falcao ou atualmente na Polónia com os dois tipos que vieram esta época, bem como oportunidades perdidas.
Se queremos continuar a ter futebol competitivo, isto precisa de ser devidamente pensado. O futebol precisa de paixão, precisa de quem se apaixone por ele. E essa paixão tem de ser acompanhada por uma gestao profissional, que saiba capitalizar a presença do capital humano nos estádios, aumentá-la e estimá-la… E é preciso ser exigente com os critérios.
Já ouviram? O que acham?
by nunocspinto