Paulo Fonseca mantém uma relação estreita com a Ucrânia, depois das 3 épocas que passou pelo Shakthar Donetsk. Recorde-se que o treinador, cuja mulher é ucraniana, estava no país em 2022 e no momento em que este foi invadido pela Rússia. Por isso, o técnico do Lyon não ficou nada satisfeito com a possibilidade levantada por Gianni Infantino de as equipas russas poderem voltar brevemente a competir nas provas internacionais.

"Vamos jogar contra a Rússia em Moscovo, enquanto os ucranianos não podem jogar no seu território? O país que está a ser invadido não pode disputar as competições europeias em casa e a Rússia poderia? Para mim, isso seria inaceitável. O futebol não pode resolver todos os problemas. Mas pode ajudar a trazer mais justiça ao mundo. No entanto, Infantino está a fazer o mesmo que Donald Trump. Está a olhar para os interesses económicos e a esquecer as pessoas", considera o antigo treinador do FC Porto, Sp. Braga e P. Ferreira, em entrevista ao 'L'Équipe', no dia em que se assinalam quatro anos desde o início da invasão russa à Ucrânia.

Paulo Fonseca criticou ainda duramente a aproximação da FIFA ao presidente dos EUA e considerou vergonhoso que lhe tenham entregue um prémio da paz, tendo em conta a relação deste com Vladimir Putin.

"Dar um prémio da paz a Trump? Sabe o que senti quando vi isso? Vergonha. É tão triste… O futebol não merece isso. É uma vergonha. A verdade é que nós, que amamos o futebol, gostaríamos que o Mundial se realizasse noutro lugar, e não nos Estados Unidos. Pelo menos não neste momento", atira.

by RMBB2705

4 Comments

  1. Para ser justo, e não gosto do Infantino, na altura era o único presidente dos EUA que não tinha começado com nenhuma guerra, dos maiores preponentes da remoção de tropas americanas de várias zonas (em particular Afganistão) e tinha mediado e acelerado dois acordos de paz no médio oriente – e em acções militares tinha essencialmente tido ataques de precisão contra dois líderes terroristas sem ter de meter tropas.

    Com essa descrição faria muito mais sentido.

    Mas lá está, prognósticos só no final.

    Agora, a FIFA andar a inventar prémios de X e Y que zero têm a ver com futebol é completamente ridículo. Mas não é a primeira vez que metem o bedulho em geopolítica

  2. eugostodegelados on

    A FIFA é hoje em dia uma das organizações mais nojentas e hipócritas que existe. Todos os locais escolhidos para organizar o mundial desde 2010 foram movidos por puros interesses geo-políticos e monetários, especialmente agravados nas escolhas de 2022 e 2026. Fora tudo o resto, como a censura às seleções que eram solidárias com causas LGBT+, o desviar de atenções para os escravos que fizeram os estádios no Qatar, ou, mais recentemente, o esquema que arranjaram para transmitir os jogos do Mundial ’26 em streaming por intermédio de uma app de apostas, fomentando o crescente problema do vício no jogo, que vem numa corrente contrária, já que tanto a La Liga como a EPL tomaram medidas contra as casas de apostas.

    O prémio da paz é simplesmente um reflexo natural de uma organização sanguessuga que quer ter a certeza que está nas graças dos líderes mundiais, por mais sem escrúpulos que possam ser (menos a Rússia, claro: esses (e bem) foram banidos de jogar competições, mas o nosso amigo Israel pode continuar a vir jogar pela paz e o caralho a quatro ehehe).

    É uma pena o principal desporto mundial estar sujeito a estes cabecilhas